Por Murilo Adamante · · revisado em
Simplificada ou completa: qual desconta mais
Não é uma questão de complexidade nem de perfil. É uma comparação de dois números, e um deles você só conhece se tiver guardado os comprovantes durante o ano.
Todo ano a mesma dúvida, e quase sempre pela razão errada: a pessoa escolhe a simplificada porque é mais fácil, ou a completa porque “deve dar mais restituição”. Nenhuma das duas coisas decide.
O que decide é qual das duas abate mais da base de cálculo — e isso é uma soma.
O que cada uma faz
Na simplificada, a Receita abate 20% dos seus rendimentos tributáveis, limitado a R$ 16.754,34. Esse valor substitui todas as deduções: você não informa médico, escola, dependente nem previdência. Um número, e acabou.
Na completa, você soma as deduções que realmente teve. Cada uma tem sua regra:
| Dedução | Limite |
|---|---|
| Despesas médicas e de saúde | sem limite |
| Instrução (por pessoa) | R$ 3.561,50 |
| Por dependente | R$ 2.275,08 |
| Previdência oficial (INSS) | integral |
| Previdência privada (PGBL) | 12% da renda bruta tributável |
| Pensão alimentícia judicial | integral |
A conta que decide
Some suas deduções reais. Se o total passar do desconto simplificado, a completa vale mais. Se não passar, a simplificada.
É literalmente isso, e é por isso que o programa da Receita calcula as duas e sugere a melhor. Mas há um motivo para entender a conta antes: a decisão é tomada em março e a preparação acontece durante o ano inteiro. Quem não guardou recibo não tem o que somar.
O teto que muda tudo
O desconto simplificado é 20% dos rendimentos, até o teto. Isso cria um ponto de virada.
Quem ganha até cerca de R$ 83.771,70 por ano ainda recebe os 20% cheios. Acima disso, o desconto trava no teto e deixa de crescer com a renda — enquanto as deduções reais continuam crescendo.
Por isso a completa tende a compensar mais conforme a renda sobe. Não por regra, mas por aritmética: um lado tem teto, o outro não.
Saúde é o que mais vira o jogo
De todas as deduções, despesa médica é a única sem limite de valor. Plano de saúde, consultas, exames, internação, tratamento dentário, fisioterapia, psicologia — tudo entra, para você e para seus dependentes.
Uma família com plano de saúde costuma somar, só nisso, mais que o desconto simplificado inteiro. É a razão mais comum pela qual a completa vence.
Em compensação, é também a dedução que a Receita mais cruza com os informes das operadoras e dos profissionais. Recibo sem prestador identificado, ou valor que não bate com o informe da clínica, é o que mais leva à malha fina.
O que fazer durante o ano
A decisão de março é consequência do que você juntou de janeiro a dezembro. Três hábitos resolvem:
- Uma pasta, física ou digital, para recibo de saúde e de escola. Nome e CPF ou CNPJ do prestador precisam estar legíveis.
- Baixar os informes de rendimentos assim que ficarem disponíveis — banco, corretora, plano de saúde, fonte pagadora.
- Conferir o informe contra os seus recibos. Divergência descoberta em fevereiro se resolve com um telefonema; descoberta em malha fina, não.
A calculadora de IRPF compara os dois caminhos com os seus números.
Este texto explica como a regra funciona e não substitui orientação profissional. Valores e limites são os vigentes em 2026 e podem mudar por norma.
Continue
Fontes oficiais
Os números e regras desta página vêm daqui. Confira sempre na fonte antes de decidir — alíquota, teto e prazo mudam.
- Lei 9.250/1995 — Imposto de Renda da pessoa física · LexML
- Lei 15.270/2025 — isenção e redutor do IRPF · LexML
- Tabelas de tributação de 2026 · Receita Federal
- Tabela de contribuição mensal · INSS